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“Esquecer é permitir, lembrar é combater.”
O mês de maio marca nacionalmente a campanha Maio Laranja – Faça Bonito, mobilização dedicada ao enfrentamento das violências sexuais contra crianças e adolescentes no Brasil. Há 26 anos, a campanha nos convida a lembrar do caso Araceli, símbolo da luta pela proteção da infância e da adolescência e do compromisso coletivo contra todas as formas de violência.
Segundo dados nacionais, a cada seis minutos uma criança é vítima de violência sexual no país. Em grande parte dos casos, as violências acontecem dentro de casa ou são praticadas por pessoas próximas e de confiança. O medo, o silêncio, o segredo e a ausência de espaços seguros de escuta ainda são barreiras para a denúncia e para a proteção.
Diante dessa realidade, o Serviço Especializado de Proteção Social às Famílias intensificou, ao longo do mês de maio, ações de mobilização, sensibilização e formação em diferentes espaços da cidade de Campinas, reafirmando o compromisso com a garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
As ações aconteceram em quatro escolas da Região Leste de Campinas — E.E. Raul Pila, E.E. Ana Rita, E.E. Francisco Glicério e E.E. Moacyr Campos — por meio de oficinas educativas voltadas aos adolescentes no ambiente escolar. Os encontros promoveram reflexões sobre o fenômeno das violências, caminhos de proteção, garantia de direitos e fortalecimento de espaços de acolhimento diante das demandas espontâneas surgidas durante e após as atividades.
A metodologia desenvolvida teve como base os princípios da educação social, propondo percursos dialógicos e reflexivos que possibilitaram aos adolescentes identificar situações de risco, fortalecer vínculos de proteção e compreender a importância da rede de proteção e apoio. As ações também evidenciaram a necessidade permanente de fortalecimento da rede de proteção, para que crianças e adolescentes encontrem confiança e segurança para relatar situações de violência.
Além das atividades nas escolas, foi realizada uma sensibilização com todas e todos os trabalhadores da instituição durante a reunião geral, envolvendo mobilização interna, produção de cartazes, aprofundamento da temática e participação em cortejo na região central da cidade.
A equipe também participou de ações intersetoriais e atividades em parceria com representantes do Poder Legislativo no centro da cidade de Campinas, fortalecendo a mobilização pública e ampliando o debate sobre a proteção integral de crianças e adolescentes.
O tema também esteve presente no Congresso Brasileiro de Enfrentamento às Violências Sexuais contra Crianças e Adolescentes, que reuniu profissionais do Sistema de Garantia de Direitos, gestores, estudantes e representantes dos Ministérios dos Direitos Humanos, da Cultura e do Desenvolvimento Social para fortalecer o compromisso coletivo com a proteção da infância e da adolescência no país.
Durante o congresso, aconteceu ainda a revisão do Plano Nacional de Enfrentamento às Violências Sexuais contra Crianças e Adolescentes, reforçando a necessidade de um pacto permanente de proteção. O CEI esteve representado no evento pelo coordenador técnico do serviço SESF, Paulo Silva, que trouxe atualizações sobre o cenário nacional e caminhos para seu enfrentamento:
“Se o desafio é coletivo, a solução também precisa ser.”
Os dados apontam que meninas de até 13 anos são as maiores vítimas de violência sexual. Entretanto, meninos que sofrem esse tipo de violência enfrentam ainda mais dificuldades para denunciar, em razão de aspectos estruturais relacionados ao machismo presente na sociedade.
A violência sexual na internet cresce de forma alarmante, e o ambiente digital também precisa ser protegido.
São registradas cerca de 100 mil denúncias de violência sexual na internet todos os anos. Além disso, 54% dos adolescentes brasileiros já sofreram algum tipo de violência sexual online, e uma em cada cinco crianças já foi vítima de abuso online no Brasil.
A proteção é responsabilidade de toda a sociedade. Crianças e adolescentes são prioridade absoluta, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Denunciar é um ato de cuidado e responsabilidade.
• Disque 100
• Conselho Tutelar
• Segurança Pública
Para crimes na internet:
new.safernet.org.br/denuncie
Faça Bonito. Proteja nossas crianças e adolescentes.
O silêncio nunca pode ser maior que a proteção.