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BASTA! Um Posicionamento da Diretoria do CEI Campinas

Autor: CEI Campinas Data: 12/12/2025

Eu não escrevo apenas como Diretor. Escrevo como homem e como testemunha diária da força feminina que sustenta esta instituição.

Enquanto Diretor do CEI Campinas, tenho o dever de vir a público. Não para fazer notas de repúdio protocolares, mas para expressar a fúria e a indignação que circulam em nossos corredores. Lidero uma organização composta por 90% de mulheres. Mulheres que são a alma do nosso trabalho, que seguram a mão de quem precisa, que transformam realidades.

Por isso, cada feminicídio noticiado, cada história de agressão que chega até nós, não é uma estatística distante. É um ataque direto a quem somos. É um ataque à minha equipe, às nossas assistidas, às nossas colegas.

O Peso da Desvalorização do Cuidado

Vejo diariamente o esforço hercúleo das nossas profissionais. E me revolta saber que a sociedade, hipocritamente, espera que o “cuidado” seja um dom natural da mulher, uma “extensão do lar,” e não um trabalho técnico e exaustivo que merece reconhecimento.

Esta estrutura coloca sobre os ombros delas o peso do mundo, enquanto retira delas a segurança básica de existirem sem medo. Aqui no CEI, lutamos para valorizar quem cuida, mas sabemos que lutamos contra uma maré histórica de submissão que precisa acabar.

A Intersecção das Violências

Do meu lugar de gestão, não posso ignorar que a violência tem cor e classe social. O feminicídio é o final trágico de uma cadeia de opressões que atinge com brutalidade ainda maior as mulheres negras e periféricas. O nosso combate à violência de gênero tem de ser, obrigatoriamente, um combate antirracista e pela justiça social. Não há meia liberdade.

Um Chamado aos Homens: A Mudança Começa em Nós

Como homem à frente desta instituição, faço um apontamento crítico aos meus pares. O machismo que mata mulheres é o mesmo sistema que nos desumaniza. Ele nos ensina que virilidade é violência, que sensibilidade é fraqueza.

Reinventar as masculinidades é urgente.

O machismo tem feito mal também aos homens, aprisionando-nos em ciclos de agressividade e silêncio emocional. Mas isso não é desculpa; é um chamado à responsabilidade. Precisamos ter a coragem de romper esse pacto. Precisamos ser homens capazes de conviver, respeitar e proteger, não por cavalheirismo ultrapassado, mas por ética humana.

O CEI Campinas não tolerará o silêncio. A nossa revolta é o combustível para a nossa luta.

Pelo fim da violência contra a mulher. Pelo fim do feminicídio.

Atenciosamente,

Leonardo Duart Bastos
Presidente do CEI Campinas