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O 18 de maio veste nosso calendário de laranja. Não apenas para que a gente se lembre, mas para que a gente desperte. É uma data que carrega o peso de Araceli e de tantas outras infâncias violentadas e silenciadas em nossa sociedade.
Quando o abuso e a exploração sexual atravessam a vida de uma criança ou de um adolescente, ocorre a mais perversa das fraturas: a desumanização. Aquele que está no mundo para ser semente, sujeito de desejos e dono de sua própria história, é brutalmente reduzido a um objeto. É a negação absoluta do “outro”. Arranca-se a voz, sequestra-se a inocência e impõe-se a tirania de quem enxerga a infância apenas como posse ou instrumento.
Mas não há silêncio imposto que não possa ser rompido pela força do encontro e do cuidado.
No cotidiano do CEI Campinas, através do nosso trabalho no SESF – imersos na proteção social especial de média complexidade –, lidamos diariamente com as marcas da violência doméstica e do abuso. Ali, nosso compromisso vai muito além de um serviço técnico; é um ato de reconstrução da humanidade.
Onde a violência tentou instaurar o silêncio e a objetificação, nós propomos o diálogo, o acolhimento e a escuta que emancipa. Nosso trabalho é ajudar a restituir o status de sujeito a quem tentaram coisificar. É garantir que, através de uma rede de proteção firme e afetiva, essas crianças e adolescentes possam voltar a conjugar a vida na primeira pessoa.
Que o Maio Laranja nos lembre de que proteger é, antes de tudo, humanizar. Não podemos tolerar que nenhuma criança perca o direito de ser poema em um mundo que, tantas vezes, insiste em adoecer.
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Manifesto da raiz: ninguem se cura enquanto a casa comum adoece!