quinta-feira, 23 de abril de 2026

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Manifesto da raiz: ninguem se cura enquanto a casa comum adoece!

Autor: CEI Campinas Data: 22/04/2026

Hoje, o calendário nos lembra o que a urgência da vida nos cobra todos os dias: pisamos no mesmo chão e respiramos o mesmo sopro. A Terra não é apenas o palco inerte das nossas existências, ela é a própria carne da nossa convivência. Chamá-la de “Casa Comum” não é um mero enfeite poético ou um eufemismo ecológico; é a constatação política mais radical do nosso tempo.

É uma ilusão cruel, um delírio do nosso século, acreditar que podemos cuidar de alguém de forma ilhada. Como falar em acolhimento genuíno, como tentar curar as fraturas do sujeito, se o solo que sustenta esses corpos está rachado pela ganância? Não existe redoma para o cuidado. A dor do mundo atravessa as paredes de pedra, invade as instituições e ecoa em nós. Somos, antes de tudo, seres relacionais, afetados pelas correntes invisíveis de uma mesma teia complexa, onde a aridez de um lado do fio faz a outra ponta adoecer.

Cuidar da Terra é, portanto, o ato mais profundo de cuidado humano. É compreender que a natureza não é um “recurso” a ser sugado, mas a extensão indissociável do nosso próprio ser social. Defender as nossas águas, as nossas matas e a integridade do nosso solo é defender, na mesma medida, o direito à dignidade, à saúde mental e à construção de um futuro que valha a pena ser partilhado.

Neste Dia da Terra, que o nosso levante seja a recusa absoluta ao isolamento. Que a nossa revolução diária seja reconhecer que o cuidado é territorial, é sistêmico, é coletivo — ou simplesmente não é cuidado. Ergamos a voz pela nossa morada, pois a vida só viceja e a poesia só tem espaço para existir quando nos entendemos como parte inseparável desta imensa e frágil Casa Comum.


Leonardo Duart Bastos
Presidente do CEI Campinas