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O vento que sopra sobre as plantações de café traz consigo o cheiro da terra molhada e a lembrança de que a vida, assim como a lavoura, exige paciência, coragem e muito suor. Se prestarmos atenção a esse vento, ele nos conta a história de um homem que transformou cada dificuldade em semente de superação: o Sr. José Louzada.
Tudo começou no dia 2 de junho de 1938, na pequena Palmares Paulista, no interior de São Paulo. Filho de Sebastião Louzada e Rosalina da Silva Louzada, o pequeno José conheceu muito cedo o peso da saudade. Aos quatro anos de idade, viu sua mãe partir para sempre, restando-lhe o amparo fundamental de sua querida avó. Foi sob o olhar zeloso dela que ele aprendeu as primeiras lições de resiliência. Com apenas sete anos, quando o dia ainda nem havia amanhecido e a avó saía atrás das vacas, os pés descalços do menino já tocavam a terra fria da roça. José trabalhava duro, mas mantinha viva a alma de criança, encontrando tempo para se pendurar em cipós e viver as aventuras simples da infância.
A vida continuou a testá-lo. Aos oito anos, mudou-se para Monte Azul Paulista para morar com o pai e a madrasta, Margarida. Ali, enfrentou a febre severa do “amarelão”, precisando ser internado em Bebedouro. Venceu a doença, voltou para casa e, ao lado do irmão Antônio, continuou a crescer. Na adolescência, dividia-se entre o trabalho pesado na colheita do café com o pai e a alegria dos bailes, onde os passos de dança aliviavam a rotina cansativa.
Aos 16 anos, um desentendimento no cafezal mudou o rumo de seu destino. Determinado e orgulhoso, José decidiu que era hora de traçar seu próprio caminho. Seu pai foi categórico: sairia apenas com a roupa do corpo. E assim, sem nenhuma riqueza material, mas carregando uma mala invisível cheia de coragem e vontade de vencer, o jovem José partiu. Encontrou abrigo e trabalho em um sítio vizinho e, pouco depois, despediu-se da roça para tentar a sorte na cidade, operando máquinas de benefício de café.
Os anos passaram e trouxeram novos capítulos. Em 1961, casou-se e mudou-se para Tupã, onde nasceram suas filhas, Sônia e Sandra — esta última, que mais tarde partiria deixando saudades e dois netos. Após 13 anos de união, os caminhos se dividiram e o destino o levou para a grandiosa São Paulo.
Na capital paulista, a força de trabalho do Sr. José o fez prosperar. Ele conquistou seu próprio caminhão, uma chácara e uma empresa de jardinagem. Mas a vida, em suas idas e vindas, lhe tirou tudo o que havia construído materialmente. Porém, o que o mundo não sabia é que o maior tesouro do Sr. José não se media em bens, mas nos encontros que a vida lhe reservava.
Foi justamente através da jardinagem que ele encontrou o grande amor de sua vida. No dia 4 de agosto de 1979, indicado por uma patroa, ele conheceu a Dona Elza. A união trouxe um recomeço e, em 19 de maio de 1987, nasceu o filho Adriano, enchendo aquela casa de uma alegria renovada.
A busca por um pedaço de chão tranquilo trouxe a família para Campinas, mais especificamente para o Jardim São Fernando. No início, moraram de aluguel, mas com o esforço conjunto de José e Elza, ergueram tijolo por tijolo a casa própria, o verdadeiro lar onde viveriam por muitos anos.
O tempo passou e a saudade bateu novamente à porta quando Dona Elza faleceu, deixando um vazio profundo. Mas o Sr. José nunca esteve sozinho. Hoje, ele vive ao lado de seu filho Adriano, cercado pelo respeito e pela admiração de quem conhece a sua trajetória.
Ao olharmos para o Sr. José Louzada, vemos as marcas de quem sempre gostou de mexer com a terra. Suas mãos, que tanto plantaram e colheram café em jornadas exaustivas, deixaram um legado muito maior. Ele provou que, mesmo quando a vida nos tira as roupas do corpo, a saúde ou os bens materiais, a dignidade, a alegria e o amor nunca podem ser tirados de nós. Esta é a homenagem a um homem feito de terra, café, coragem e muito amor.
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