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Durante a semana dos dias 29 de setembro a 03 de outubro, o CEI Campinas realizou sua SIPAT – Semana Interna de Prevenção de Acidentes, semana responsável por trazer a tona debates como: segurança do trabalho; prevenção de acidentes e de riscos psicossociais; ergonomia e cuidado com o corpo; bem estar no trabalho e construção coletiva; etc. Temas que se encontram na centralidade das questões trabalhistas brasileiras. É importante ressaltar que o debate sobre as complexidades, desafios e percursos do contexto de trabalho no Brasil emerge de uma luta altamente legítima de trabalhadores de séculos atrás, abrangendo diversas questões sociais, econômicas, psicológicas, culturais e de saúde. A semana da SIPAT está necessariamente vinculada à Norma Regulamentadora das Leis de Trabalho número 5. Esta Norma Regulamentadora inaugura a necessidade de instituições públicas e privadas que configuram seu vínculo empregatício a partir da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) criarem e fortalecerem uma CIPAA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio. Dessa forma, a CIPAA é responsável, junto da instituição, por se atentar e conduzir os debates da segurança de seus trabalhadores, compreendendo que a segurança envolve tanto o nível prático do trabalho quanto o nível subjetivo, atuando na prevenção de acidentes e assédio e contribuindo para a preservação e qualidade de vida das pessoas que fazem a instituição acontecer.
Trazendo para a realidade do CEI Campinas, é imprescindível que possamos refletir que os funcionários atuantes na instituição não estão nada distantes dos inúmeros desafios de ser da classe trabalhadora no país. Atuar dentro de uma instituição que se debruce nas políticas públicas é necessariamente nadar contra a corrente do que está posto em uma sociedade do lucro. É desafiador confrontar e criar alternativas para uma realidade cercada de processos desumanizadores e configurações que geralmente não se interessam na luta pela vida digna de todas, todos e todes.

Sendo assim, ser trabalhador no compromisso de atuar na luta por direitos e dignidade é por si só um ato corajoso que merece atenção e sobretudo, cuidado. Diante de tal contexto, cria-se uma necessidade profunda de olharmos com qualidade para as condições de trabalho que contornam e constituem o fazer dos profissionais do CEI Campinas; trabalhadores comprometidos com uma atuação qualitativa e responsável com a população da cidade de Campinas.
Com isso, para elevar a reflexão dessas condições de trabalho do contexto geral brasileiro e campineiro e do contexto CEI, para assim criar um processo formativo com seus funcionários, foi construída a SIPAT 2025. As responsáveis pela organização da semana foram as trabalhadoras integrantes da CIPAA, comprometidas há meses na construção de uma semana de qualidade e profundidade nos desafios que o corpo de funcionários enfrenta cotidianamente.
É importante ressaltar que construir uma SIPAT com qualidade estava intrinsecamente ligado a se debruçar na atuação de pessoas que trabalham e cuidam de outras pessoas. Organizar a SIPAT estava totalmente ligado a convidar à reflexão, sujeitos que lidam com situações de vulnerabilidade, violência, complexidades de diferentes realidades e trabalhadores preocupados em cuidar do espaço institucional também internamente. No geral, todos implicados em constantemente se apropriarem do que organiza suas vidas, de seus atendidos e suas famílias. Ou seja, organizar a SIPAT estava intrinsecamente vinculado a convidar pessoas que constantemente se atentam a outras pessoas a também se atentarem e cuidarem de si mesmas. Segurança no trabalho é compreendermos que nossos corpos e mentes necessitam de todos os cuidados e atenções possíveis; da gestão do trabalho, a ponta na atuação e as manutenções internas do espaço físico e simbólico.

Todos os dias contaram com cafés da manhã com música, sendo uma oportunidade para que todos se preparassem para o espaço e tivessem um respiro de chegada. Em alguns momentos foi possível celebrar uma trabalhadora convidada para cantar nas aberturas dos dias da SIPAT, trazendo graciosamente repertórios da música popular brasileira que todos pudessem prestigiar.
Na segunda-feira do dia 29 de setembro, com a mediação de uma psicóloga residente multiprofissional da atenção primária da prefeitura de Campinas, a discussão percorreu a temática da saúde mental no cotidiano, a prevenção de riscos psicossociais e a promoção de saúde e bem estar no ambiente laboral. Foi um espaço de muitas reflexões no que diz respeito ao papel de cada um na construção de um ambiente coletivizado, saudável e acolhedor. Também foi possível o debate sobre espaços rodeados de respeito e responsabilidade proporcionarem bem estar e refletirem a prevenção dos riscos. É sempre necessário compreender que a construção da saúde do trabalhador não se vincula apenas ao trabalho isoladamente, mas sim a materialidade das diferentes realidades que compõem o sujeito que trabalha.
No dia 01 de outubro, foi proporcionado um momento também de alta qualidade com um psicólogo sobre prevenção de assédios no trabalho. Foi explanado sobre a importância e as contradições que precisam ser trabalhadas no tema, compreendendo as diferentes violências que aparecem no espaço trabalhista. O grupo percorreu de forma muito ampla e elaborada sobre as dinâmicas e complexidades de profissionais que atuam com essas violências concomitante a atuação na garantia de direitos, sendo um possível risco que essas violências se reproduzam entre os próprios trabalhadores. Foi debatido também sobre os contextos fora da instituição que se repetem dentro do cotidiano de trabalho. A discussão partiu dos impactos que todos possuem nos debates de classe, de raça, sexualidade, de gênero, entre muitas outras diversidades, que condicionam a vida pessoal e profissional, uma vez que ambas andam completamente juntas.
Para finalizar a manhã do dia 01, com muitos questionamentos e trocas pertinentes, o espaço contou com um artista da instituição ministrando um momento de coletividade e afeto. O momento de descompressão das trabalhadoras presentes, contou com a confecção de “casinhas” em pedras retiradas da calçada do CEI. Foi realizada a pintura coletiva de suas “casinhas” para a construção de um vilarejo com a arte de todos, proporcionando excelentes trocas envoltas de cores, músicas e risadas.

Já no dia 02 de outubro o espaço contou com a presença de um engenheiro do trabalho, também professor de segurança do trabalho no Centro de Educação Profissional de Campinas, para tratar de alguns tópicos relacionados a segurança e principalmente, ergonomia. No que diz respeito à discussão de segurança do trabalho, a temática da ergonomia é primordial para uma profundidade do que condiciona o espaço e os hábitos de trabalho dos profissionais. O momento com o engenheiro convidado trouxe uma formação dinâmica e didática sobre alguns hábitos que necessitam ser repensados, contando também com um momento descontraído de brincadeiras com os profissionais presentes. Posteriormente, foram convidadas duas trabalhadoras da instituição, uma fisioterapeuta e uma psicóloga, para tratarem dos cuidados com o corpo a partir da óptica da respiração e da meditação. Os momentos com as profissionais foram essenciais para que todas presentes tivessem a oportunidade de possuírem um tempo de autocuidado e autopercepção.
No último dia da semana, dia 03 de outubro, o evento foi celebrado com a movimentação de muitos trabalhadores se disponibilizarem a construir o espaço, aquecendo-se com um rico e afetuoso café da manhã com música. Inicialmente o fechamento da SIPAT contou com o agradecimento das representantes da CIPAA e com a fala institucional do presidente do CEI Campinas. O sentido da fala se cursou no propósito do CEI e de suas inspirações e referências, onde o presidente discursou sobre a necessidade de cuidarmos de espaços como a SIPAT para que se alinhem cada vez mais com a história da instituição e seus horizontes. Foi trazida sobre a importância da atenção e responsabilidade institucional, no que diz respeito às demandas dos trabalhadores, estarem sempre alinhadas às filosofias de grandes referências, como Paulo Freire, Hannah Arendt, Frida Kahlo, Conceição Evaristo, Friedrich Nietzsche, entre outros.

Para fechar a semana com motivação, afetividade e reflexões calorosas, posterior a fala institucional ocorreu um momento de vivência psicodramática com uma psicóloga professora da PUC de Campinas, que possui grande experiência com trabalhadores de sindicatos e afins. A proposta da professora foi que os trabalhadores atuassem em uma cena teatral que refletisse os bons frutos da SIPAT e se dividissem em grupos para tal realização. A vivência provocou trocas significativas, não apenas dos momentos da semana, mas em símbolos e representações do CEI Campinas como um todo. Os símbolos e representações que incorporaram o espírito de coletividade dos funcionários, dentro de suas contradições, seja nas dificuldades, seja nas alegrias. O momento foi enriquecedor e rodeado de devolutivas dos próprios trabalhadores como “resgate de energia”; “proporcionou espírito de corpo”; “ressignificou processos” entre outras nomeações para o que a vivência proporcionou.
Assim, a semana SIPAT 2025 contribuiu para uma construção mais próxima e fortificada do que é compreendido no CEI Campinas como “Prevenção de Acidentes e de Assédio”, propondo ao corpo de trabalhadores, em um momento ou outro, de fato refletir e protagonizarem o debate sobre seus direitos e contribuições para um espaço de trabalho mais digno, respeitoso e sobretudo, vivo.
Maria Luiza Nascimento, psicóloga do trabalho no CEI Campinas.